Assumir o outro lado da situação pode ser um tanto quanto perigoso, algumas dúvidas ficam soltas, tais como querer saber se você pode se tornar imune, se há caminho para voltar ou se é reconfortante... Para alguns pode parecer ser algo extremamente bom, para outros nem tanto. A verdade é que eu nunca imagine que um dia pudesse assumir o outro lado, o que deve ser o motivo da sensação esmagadora no peito e fazer com que tente voltar ao início, mas com tamanha prontidão, minha mente reprisa diversos momentos em câmeras lentas, alguns em preto e branco, outros com uma exatidão de cores que chega a enjoar. A curta metragem é o que desvia o aperto no peito e a vontade de voltar, para dar espaço à outra sensação, o cansaço.
Tudo o que eu queria fazer era... Estar lá... Eu acreditei de todas as formas, mantive estendida a minha mão a cada instante e depois de um tempo nada parecia ser como antes, mas eu continuei, eu afastei todos os sinais que diziam para eu não me importar.
Não há o sentimento negativo de arrependimento, mas sim de vazio... Vazio pelas horas que precisava de uma mão para segurar, um silêncio para confortar, um olhar que demonstrasse que acreditava, eu só queria que alguém estivesse lá para eu não precisar mexer na ferida que nunca cicatrizou para ter a certeza de que eu não estava sozinha.
Dizem que algumas pessoas simplesmente não se importam, que não devemos dar com a intenção de receber algo em troca, talvez seja isso mesmo, ou, talvez, você deva estar lá por quem, realmente, demonstrar acreditar na força dos elos invisíveis que unem as pessoas.
Eu acredito na saudade mencionada, o “eu te amo” pronunciado, na tentativa de manter um elo, porque apesar das minhas decisões, nada do que foi cultivado mudou, eu ainda sinto falta, acredito nas amizades, mas escolho a liberdade. Eu abro mão do ambíguo, da busca incansável de fazer com que as palavras façam jus a um sentimento. Fecho os olhos e assisto a curta metragem das cenas projetadas pela minha mente, respiro aliviada, porque, ao invés de buscar a musicalidade das palavras, eu sempre estive lá.
“(…)
More than words
Is all I ever needed you to show
Then you wouldn't have to say
That you love me 'cause I'd already know
(…)”
O carinho permanece e o sentimento imaculado por um futuro mais conhecido como "sempre".